quinta-feira, 9 de julho de 2009

Shakespeare na Globo

Na época de férias, a Globo sempre cosuma passar minisséries de noite, mas ultimamente não vinha acertando na mão. Aliás, desde Hoje é Dia de Maria, que foi surpreendente desde o visual até a atuação incrível da manina Carolina Oliveira (porque não é surpresa nenhuma que Letícia Sabatella, Rodrigo Santoro ou Fernanda Montenegro fossem brilhantes), não tínhamos nada de muito bom.
Essas séries costumam ter uma qualidade superior à das novelas exibidas em horário normal, pois têm um orçamento mais gordo, uma direção mais caprichada e não dá tempo de enjoar dos personagens, já que a coisa não se arrasta pelo ano todo. Mas as últimas séries, apesar de alguns pontos positivos, estavam deixando muito a desejar; lembro de Queridos Amigos (que tinha um elenco legal, mas uma história manjada e fraquinha), de Maysa (que teve a infelicidade de se importar mais se os atores se pareciam com as pessoas na vida real do que se sabiam, de fato, atuar) e de Ó Pai, ó (sem comentários).

Agora, desde que começou a passar a propaganda dessa nova série, além da musiquinha feliz, o elenco foi a primeira coisa que me chamou a atenção: Andréia Beltrão, Felipe Camargo, Pedro Paulo Rangel, Maria Flor, Daniel de Oliveira e Rodrigo Santoro, isso pra citar só os meus preferidos entre os nomes. Imagino que um elenco desse faria uma minissérie que valeria minha audiência nem que fosse dirigida pelo Jorge Fernando - mas aí qual não foi minha surpresa quando vi que a direção era de ninguém menos que do Fernando Meirelles.

Não escondo de ninguém que acho ele brilhante, e não me ressinto do fato de ele fazer essas séries morninhas por aqui ('Cidade dos Homens' também era dele) e seus filmes fodões em inglês, inflando nosso orgulho verde e amarelo nas premiações por aí.

"Som e Fúria" é composta de 12 capítulos que contam as desventuras de um grupo de teatro que tenta se organizar para encenar Shakespeare e conseguir verba do Ministério da Cultura enquanto um ex-ator maluco assume a direção do espetáculo após a morte do diretor passado, que entretanto insiste em voltar do além para atormentá-lo. No elenco estão todos os estereótipos, a diva que adora um barraco, o ator de novela das 7 que trabalha mal, o diretor vendido que adora rechear sua fala com expressões em inglês e a mocinha que só consegue papel de substituta.


Nesses dois primeiros capítulos, nada me decepcionou, o que é um ponto positivo, já que eu estava esperando bastante mesmo. O humor poderia ser um pouco mais sutil, por exemplo: acho ótimo o cara morrer atropelado por um caminhão de presunto, mas não precisam ficar repetindo isso toda hora, tipo pra quem perdeu a cena ou não entendeu de primeira. Mas também não é nada escrachado, e como o elenco é ótimo, as cenas de comédia acabam fazendo jus. Pouca coisa me surpreendeu de fato, mas uma coisa muito interessante foram os personagens secundários, que ao contrário de serem ofuscados pelo elenco de grandes nomes nos papéis principais, têm grande qualidade e acabam dando um destaque especial à secretáia, ao porteiro, aos funcionários da funerária, etc.


Meirelles justifica passar uma série inspirada em Shakespeare na TV com o fato de que ele era um autor popular em sua época, e seus textos acabaram inacessíveis mais pelo fato de seu linguajar ter ficado ultrapassado do que pelo seu conteúdo, de fato, que é inegavelmente universal e atemporal. Mas não vamos esquecer que isso não é ponto para um possível brilhantismo inovador do diretor, já que trata-se de uma adaptadação de uma série Canadense ('Slings And Arrows'), então o sucesso já fica mais garantido - afinal a Globo não dá ponto sem nó, né? Vou continuar acompanhando pra ver no que vai dar, quem já perdeu os primeiros episódios e quer dar uma conferida, tem tudo no Youtube, pra variar.

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